EDITORIAL
Passagens. Revista
Internacional de História Política e Cultura Jurídica
Rio
de Janeiro: vol. 8, no.2, maio-agosto, 2016.
O fascículo 2, volume 8, de Passagens
(maio-agosto de 2016) apresenta um número vigoroso onde prevalece a variedade temática e
a diversidade em relação ao Brasil e ao exterior.
Temos a presença de um polemista e uma
polêmica dos “velhos tempos que não envelhecem”. O foco é a obra de Monteiro
Lobato analisando-se os argumentos de que se valem três textos de diferentes
publicações veiculadas na década de 2010: um em revista acadêmica (Dados) e dois outros em semanários
vendidos em banca de jornal (Carta
Capital e Bravo). O Dr. Aluizio
Alves Filho (ex-professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro/Instituto
de Filosofia e Ciências Sociais – UFRJ/IFCS - e hoje na Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro) visa, segundo seu pensamento, “os argumentos que sustentam
a desconstrução da produção literária de Monteiro Lobato, retirando-o do
panteão dos grandes nomes nacionais e reduzindo-o a um pensador eugenista/racista”.
Já a Profa. Adjunta de História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
(UERJ), Dra. Ana Carolina Huguenin Pereira
analisa no Brasil e na Rússia oitocentistas projetos modernizantes que
conviveriam com as heranças do trabalho servil e escravo. Para uma tal
finalidade debruça-se sobe a literatura de dois grandes escritores: Machado de
Assis e Dostoievski.
Graciela Flores, Doutora em Historia pela Universidad Nacional Autónoma de México
(UNAM), atualmente pesquisadora de pós-doc. no Centro de Estudios Históricos de Colégio de México, nos oferece ampla compreensão das
mudanças no âmbito da justiça criminal na cidade do México no século XIX em
três momentos históricos referidos: 1) à exigencia
da fundamentação precípua das sentenças para a exata aplicação da lei; 2) à Lei
de 5 de janeiro de 1857 e 3) ao Código Penal de 1871. Em relação ao Rio de
Janeiro e no período crucial do Brasil-Império, décadas de
1820 e 1830, a indisciplina e a vigilância são estudadas
por Luciano Rocha Pinto na produção da(s) ilegalidade(s). Rocha Pinto é Doutor
em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro - PPGH-UERJ - com pós-doc. pelo Programa de
Pós-Graduação em História da Universidade Federal Fluminense - PPGH-UFF.
O mestrando Luiz
Orencio Figueredo e o Dr. João Henrique Zanelatto, ambos associados ao Programa
de Pós-Graduação em Desenvolvimento
Socioeconômico - PPGDS/UNESC
- Universidade do Extremo Sul Catarinense comparecem com o ensaio Legislação e Políticas Públicas voltadas à
Imigração no Brasil.
Em Sociedade de Risco e Desamparo:
Enchente do Rio Madeira por Maria
Jarina de Souza Manoel, bacharel em psicologia e psicanalista em formação, é
mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em
Sociologia e Direito da Faculdade de Rondônia – Faro – em convênio com o
Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da Universidade Federal
Fluminense - PPGSD/UFF. Neste
caso são enfocadas as relações entre “sociedade de risco”, desastre ambiental e
desamparo. Reflete ainda sobre a importância do amparo social e emocional aos
afetados por catástrofes.
Os conceitos de
cidadania, direitos humanos e soberania são discutidos em conexão com as
migrações internacionais e seus fluxos na atualidade. As autoras são Marli Marlene
Moraes da Costa e Patrícia Thomas Reusch, a primeira, com Pós-Doutorado em
Direito pela Universidade de Burgos – Espanha e a segunda, mestranda do curso
de Pós-Graduação em Direito – Universidade de Santa Cruz do Sul.
“O positivismo como
cultura”
é abordado pela criminóloga Vera Malaguti Batista, Professora da Faculdade de Direito da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, e Doutora em Medicina Social pelo
Instituto de Medicina Social da mesma universidade - IMS/UERJ. Sua perspectiva
crítica contempla de forma contundente as relações entre positivismo, discurso
médico, determinismo biológico e criminalização.
Na seção LITURATERRA, Jonathan Marcel Scholz, doutorando em História na Universidade Federal
de Uberlândia), Minas
Gerais, apresenta a obra “Os cruzados da ordem jurídica: a atuação
da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), 1945-1964”. São Paulo: Alameda, 2013.
260 pp. de Marco Aurélio Vannucchi Leme de Mattos.
Todavia, não poderíamos deixar de registrar para os nossos leitores
de Passagens.
Revista Internacional de História Política e Cultura Jurídica – a hora
funesta que vive o Brasil com o impedimento da presidente Dilma Roussef. Para
registro histórico, consideramos que o Brasil está sob ataque. Há pelo menos
três vetores que se consorciam neste ataque: um vetor político-internacional,
um outro de natureza midiática e finalmente um terceiro, de caráter financeiro.
Oxalá saibamos resistir com firmeza, com inteligência e,
sobretudo, com serenidade.
Os Editores: Gizlene Neder & Gisálio Cerqueira Filho
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